A Contradição não é Possibilidade Aceitável para a Filosofia

A Filosofia é conhecimento da verdade e o conhecimento da verdade é conhecimento das causas. ( Aristóteles, Metafísica Livro II) 

A história da Filosofia é marcada pela busca da compreensão da realidade em suas substâncias, qualidades e quantidades, para determinar aquilo que é universal e recorrente na natureza das coisas. Estuda-se causas e efeitos, princípios e consequências que dizem mais sobre aquilo que é intrínseco a natureza do que ao que gostaríamos que fossem as coisas. As deliberações sobre como as coisas deveriam ser está na ordem da poesia, da arte, da religião de toda manifestação que não tem a finalidade de ciência, e a Filosofia é a primeira nessa tão gloriosa tarefa.

A utilização da linguagem é a ferramenta para estabelecer delimitações daquilo que é possível conhecer e daquilo que é preciso calar. Existem as palavras que estão próximas do objeto representado e por isso, não dão abertura a interpretações que causem manipulação semântica. Já outras palavras são derivações, se referem a relações, a abstrações indetectáveis aos cinco sentidos e sua complexidade carrega consigo a possibilidade de ressignificação.

Das ferramentas utilizadas por bons filósofos para apontar abstrações válidas, que estão em consonância com a realidade, é a lógica, seu crivo argumentativo é suficiente para estabelecer onde pode ocorrer tropeços de sensação e percepção. Sócrates patrono da filosofia, foi quem ensinou o melhor método para combater aqueles que no mar abstrativo da linguagem onde em determinadas áreas da vida é possível propagar meias verdades, meias mentiras, com intuitos diversos. Saber fazer perguntas com a finalidade de chegar ao fundamento do que é questionado, o axioma mostrará se o que se propõe está de acordo com a realidade ou tropeça em alguma desconexão com o real.

Só será possível sustentar determinada abstração se sua raiz estiver enfincada na realidade dos fatos. Questionar a veracidade dos fatos não ajudará, uma vez que se todos estivermos em uma ilusão o primeiro a provar tal alegação é quem a propõe, sob a acusação de inversão do ônus da prova.

Superado este pequeno percalço, a lógica acompanhada da experiência factual garante que leis sejam estabelecidas e sua reincidência só fortaleça o axioma proposto.

As premissas lógicas que fizeram da filosofia o grande alicerce do conhecimento universal começam com Parmênides que percebeu na ordem da natureza aquilo que chamamos de princípio de identidade, ou seja,  uma coisa é o que é, e não se confunde com nenhuma outra.

Aristóteles apresentará os dois próximos princípios que são complementares, os  princípios da não-contradição e do terceiro excluído.

No princípio da não-contradição, duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, não é possível estar chovendo e não estar chovendo ao mesmo tempo. Perceba que o tempo nos remete a realidade, e a realidade é o juiz das proposições. As proposições precisam estar vinculadas a realidade para que o princípio não seja passível de ambiguidades da linguagem, utilizadas de forma a instaurar falsa sensação de relatividade.

No princípio do terceiro excluído, ou a proposição é verdadeira, ou sua negação é verdadeira, uma terceira classificação é impossível.  As relações da natureza fortalecem o argumento quando percebemos as possibilidades nos fatos em si. As coisas possuem características próprias, suas transformações e regularidades estão em acordo a leis específicas, fazendo com que sejam passíveis de causa e efeito, eventuais acidentes também tem suas características próprias, fazendo da realidade dotada de certa previsibilidade e contenção.

A boa filosofia faz o trabalho de lembrar que a verdade das coisas está em sua coerência,  que as escolhas contraditórias estão para a morte, e que o respeito a natureza está para a vida. O conselho do patrono Sócrates foi, conhece-te a ti mesmo, por que só o homem não é regido por instintos mas pela escolha em deliberar sobre seu próprio caminho.

A natureza estabeleceu as leis, mas cabe aos homens escolher quais seguir ou sofrer as consequências. A boa filosofia da diretrizes, mas o homem sempre será convidado a deliberar sobre a coerência de suas ações, se essas o levam para o caminho da perpetuação ou da destruição.

Aos homens foi dado a dádiva de nascer, viver e morrer. Cabe ao filósofo o recorrente alerta sobre as implicações desses fatos e não retardar ou adiantar aquilo que foi instituído.

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