A Arrogância Fatal e a Oportunidade de Ouro.

Já vimos como a separação dos objetivos políticos e dos objetivos econômicos representa uma garantia essencial da liberdade individual e como, em conseqüência, tal separação é atacada por todos os coletivistas. Devemos acrescentar agora que a “substituição do poder econômico pelo político”, tão demandada hoje em dia, significa necessariamente a substituição de um poder sempre limitado por um outro ao qual ninguém pode escapar. Embora possa constituir um instrumento de coerção, o chamado poder econômico nunca se torna, nas mãos de particulares, um poder exclusivo ou completo, jamais se converte em poder sobre todos os aspectos da vida de outrem. No entanto, centralizado como instrumento do poder político, cria um grau de dependência que mal se distingue da escravidão. ( Friedrich August Von Hayek – O Caminho da Servidão)

A arrogância fatal é conceito fundamental de Hayek, que designa o impeto de governantes em resolver todas as demandas sociais, gerenciá-las de forma que o controle não fuja das mãos do estado, e inevitavelmente termine em fracasso. Um fracasso devidamente explicado no recorte acima e destrinchado a exaustão por todo autor liberal de tradição Lockeana.

A arrogância pode se materializar na afetação do caráter, problemas se apresentam e se solucionados, o indivíduo pressupõe que as dificuldades que surgirem também serão solucionadas com a mesma facilidade e destreza. A predisposição que alimenta a arrogância pode aparecer de lugares díspares, da posição de um cargo, do cotidiano e liturgias extravagantes, até de apoiadores que alçam uma figura humana a posição se semideus.

No ambiente da política as vitórias eleitorais talvez sejam o melhor combustível da arrogância. É sabido e recorrente que políticos por sua aprovação popular caem em miséria moral. Hábitos reprováveis são consequência, por conta da certeza de que seus atos, mesmo que descobertos, não trarão prejuízo financeiro ou de reputação. [1]

A oportunidade de ouro aqui é nosso arranjo social, onde qualquer falcatrua tem chances maiores de ser descoberta do que dissimulada, todo o aparato tecnológico hoje sustenta o avanço na eficiência gerencial da máquina pública. Os eleitos fazem parte de um congresso onde a emergência de transparência não tem precedentes. Muitos dizem ser a era do populismo, que os discursos tendem ao apelo emocional e que os políticos irão cada vez mais fazer menos aquilo que é necessário e mais daquilo que visa o marketing pessoal.

Penso diferente, com o avanço das tecnologias da informação a tendência é riqueza e repúdio ao desperdício, ao erro e descaminho. A escolha humana ao longo da história sempre se moveu na direção da maior satisfação e diminuição da dor. Essa busca só é interrompida por que os ilícitos não eram detectáveis, uma vez que a impunidade não é facilitada, os incentivos tendem a recompensar as ações legítimas.

Na política assim como na economia a concorrência é essencial, vimos a tomada dos meios de divulgação e propagação de ideias por uma única posição ideológica e suas consequências nefastas, o maior roubo da história do mundo. O novo governo já influenciado por uma concorrência de ideias, se rendeu a força de caráter de um juiz de primeira instância que agora ocupa o cargo de ministro da justiça, e a um economista liberal que propõe como medida nada menos do que privatizar todas as estatais, em detrimento de influências e opiniões até ontem externadas em divergência. [2]

Ludwig Von Mises em sua Magnum Opus esclarece:

O pensamento lógico e a vida real não são órbitas distintas. A lógica é o único meio de que o homem dispõe para dominar os problemas da realidade. O que é contraditório em teoria é não menos contraditório na realidade. Nenhuma inconsistência ideológica pode proporcionar uma solução satisfatória, ou seja, uma solução para os problemas que os atos da realidade nos apresentam. O único efeito das ideologias contraditórias é esconder os problemas reais e, consequentemente, impedir as pessoas de encontrarem a tempo a política adequada para resolvê-los. As ideologias inconsistentes podem, às vezes, adotar a eclosão de um conflito evidente. Mas certamente agravam os males que escondem e tornam uma solução final mais difícil. Multiplicam as agonias, intensificam os ódios e tornam impossível o ajuste pacífico. É um erro crasso considerar contradições ideológicas como inofensivas ou mesmo benéficas. (Ludwig Von Mises, A Ação Humana, pg 229)

Se existe concorrência e acesso ao contraditório, os seres humanos tem a possibilidade de confrontação ou inércia. Porém a história da humanidade corrobora o fato de que humanos não gostam de estar errados, errar é atentar contra a sobrevivência. A contradição ou desconexão com a realidade, com a verdade, geralmente é tratada com zombarias e maledicências.

Se não existe contraditório e as informações são corroboradas por figuras de autoridade é possível o processo de doutrinação. Caso aja espaço para que formas divergentes de ideias se confrontem, aquela que mostrar maior consonância com a verdade tende a progredir e se perpetuar.

As ferramentas que possibilitaram a concorrência para a oportunidade de ouro ser possível é a internet e as redes sociais. Os resultados já são visíveis, o reconhecimento da incompetência estatal em gerenciar todos os aspectos da vida humana em sociedade. A superioridade do mercado na geração de riqueza. A efetividade de iniciativas individuais em detrimento daquelas que são subsidiadas pelo governo. A caridade privada como mais cirúrgica e precisa, do que o lento trabalho de governos na resolução de problemas assistenciais. [3] [4] [5]

Essas constatações e outras são repetidas e rediscutidas a exaustão, os exemplos são nacionais e internacionais. As formas de abordagem diversas e inovadoras, não há como dar as costas para a força racional que se forma, seus resultados já estão nas urnas desde 2016 e só tendem a fortalecer. Os problemas existenciais humanos ainda continuam insolúveis,  já a solução para a geração de riqueza e de paz, passa necessariamente pela dissolução do estado, ou seja, pela total e irrestrita adesão ao Capitalismo.

 

 

 

REFERÊNCIAS

[1] Série Trotsky – https://www.netflix.com/title/81025391

[2] https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/devastada-pelo-maior-assalto-da-historia-a-petrobras-paga-os-advogados-que-tentam-livrar-da-cadeia-os-envolvidos-na-ladroagem/

[3] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2646

[4] https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/a-politica-industrial-de-dilma-o-fracasso-do-intervencionismo/

[5] http://institutotropeiros.com/2017/08/17/com-o-estado-falindo-caridade-privada-assume-o-papel/

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