Os Jacobinos da Direita, uma Esquerda de Sinal Trocado.

As semelhanças com os revolucionários são curiosas e o modo de agir convergente, por falta de balizas claras e premissas estabelecidas, não relativizáveis, muitos que hoje se intitulam conservadores, são tomados por repentes de irracionalidade e arranjos reflexivos que em determinadas pautas sociais culmina em contradições. Seus próprios pensadores de referência alertaram sobre os possíveis tropeços, mas parece que não são visitados para correção e aperfeiçoamento.

Como diz o ditado popular, “na prática a teoria é outra” e os pseudo-conservadores em sua busca pela virtude, pela fuga do pecado e misericórdia de seu deus, são orgulhosos e ostentam suas contradições com ares de arrogância e superioridade.

É compreensível que alguns temas de derivação das liberdades individuais cause um travamento cerebral nos jacobinos da direita, visto que seu refletir está muito bem obstruído pelo dogmatismo religioso, mas esquecer pilares básicos do agir conservador nos faz questionar, esses intelectuais podem se intitular portadores da alta cultura brasileira?

Foi na greve dos caminhoneiros que pudemos pôr à prova o modo revolucionário de resolver problemas sociais. Ao invés de promoverem medidas de resolução com base na prudência, no aconselhamento da moderação, o que vimos foi a provocação de radicalismos, de uso da violência como medida efetiva de resolver o problema.

Lembrou os militantes do PSOL e esperávamos Edmund Burke.

Thomas Sowell em sua Obra “Conflitos de Visões” nos auxilia quando explica como os processos sociais são justificados na cabeça daqueles de visão restrita (conservadores) e visão irrestrita (revolucionários):

“Processos sociais em geral são considerados de forma bem diferente pelas duas visões. A visão irrestrita tende a julgar os processos por seus resultados – “Está certo? É bom?”, nas palavras do Presidente da Corte Suprema norte-americana, Earl Warren. A visão restrita considera o que é certo e bom como característica do processo, mais do que como resultados: uma corrida é justa se for realizada em condições adequadas – independentemente de quem ganha ou perde ou da frequência  com que a mesma pessoa ganha. A justiça, na visão restrita, significa portanto, aderir a regras concordadas, enquanto na visão irrestrita, algo é justo ou injusto de acordo com o fim dos resultados.”

Ao incitar que caminhoneiros não buscassem um acordo, que prolongassem a greve, os jacobinos da direita apelaram a barbárie e as consequências que levariam a resultados de desabastecimento, de ruptura institucional, de caos social. Visão irrestrita em todo seu significado.

Outra evidência da histeria desses pseudo-conservadores nasceu da possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas nas eleições em 2018. A apreensão era justificada, uma vez que em 2014 a sala cofre de apuração foi frequentada somente pelo ministro Dias Toffoli, que não é conhecido detentor de caráter ilibado. Mas a partir das medidas tomadas para que partidos pudessem enviar seus representantes para acompanhar o processo, o medo de um crime eleitoral foi neutralizado e caberia aos líderes jacobinos acalmarem sua militância, mobilizar as pessoas para o acompanhamento do processo pelos mecanismos dispostos pela lei. Nenhuma orientação foi feita, pelo contrário as lideranças intelectuais levaram o discurso irracional de fraude até a revelação do resultado apurativo.

Aristóteles é profícuo quando constata que “o nosso caráter é o resultado de nossa conduta”. De nada adianta, esses filósofos e cientistas políticos sofismar referências conservadoras, se nas horas que foi solicitada a ação, o que se mostrou é alinhamento metodológico com Gramsci e Stalin.

João Pereira Coutinho em sua obra “As Ideias Conservadoras – Explicadas a Revolucionários e Reacionários”, esclarece como um conservador lida com problemas sociais:

“As tradições são o ponto de partida de qualquer ação reformista consequente e prudente. Mas é possível também afirmar que a reforma é, ela própria, um importante mecanismo de conservação. “Um estado sem a possibilidade de alguma mudança é incapaz de se conservar”, dirá Burke em uma das suas proclamações mais conhecidas. A reforma é necessária para se preservar (e melhorar) o que se encontra em risco – um imperativo que devia ter sido acautelado na França pré-revolucionária. Utilizando com maestria as metáforas arquitetônicas que são recorrentes ao longo das Reflexões, o país é apresentado como um velho edifício de paredes degradadas. Mas o estado do edifício não justificava a sua demolição pura e simples; exigia, pelo contrário, reparar essas paredes, mantendo o edifício de acordo com  a sua velha forma. Foi por terem recusado a reforma que os franceses se condenaram, e condenaram a Europa à revolução.

Trata-se de uma observação sagaz que sublinha, uma vez mais, a importância preventiva da reforma para que se evitem situações potencialmente revolucionárias. Como lembra Kekes, a reforma não é apenas mais um princípio banal da gramática conservadora; ela será especialmente relevante para um conservador avesso ao radicalismo político e às situações extremas que o alimentam. Porque não basta conservar as condições morais e institucionais que se consideram relevantes para o prosseguimento de vidas boas. É importante estender quantitativamente essas condições, de forma a evitar que um elevado número de indivíduos atue radicalmente porque nada tem a perder e tudo tem a ganhar.”

Nos próximos anos será necessário o esforço de lembrar aos brasileiros, o que é conservadorismo, qual sua disposição e quem são aqueles que por sua desconexão de princípios, valores e ações, devem ser chamados de reacionários, ou jacobinos da direita.

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