Porque uma Calça para uma Jovem de 16 anos, é mais de 300 reais.

O primeiro dever do intelectual moderno, escreveu George Orwell, é afirmar o óbvio, invalidar ponto a ponto “as pequenas ortodoxias duvidosas… que agora brigam por nossas almas”. Orwell entendia por doutrinas totalitárias aquelas que hipnotizavam os intelectuais  de seu tempo e os impediam de aceitar as verdades mais óbvias e evidentes a respeito de si próprios e de outras sociedades; entretanto, a  advertência ainda é verdadeira, mesmo quando o fascismo e o comunismo estão mortos. O fim do totalitarismo não levou a uma avaliação mais franca e honesta da realidade, mas simplesmente a uma proliferação das lentes  de distorção através das quais as pessoas escolhem olhar para o mundo. ( Theodore Darymple, A Vida na Sarjeta, pag 261)

Em uma aula sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos apontei aos alunos o  movimento filosófico conceitual na elaboração dos artigos inicia com a garantia de liberdades negativas, ou seja, a defesa dos homens de que suas ações não serão interrompidas por violência de terceiros nem impedidas por mero capricho de outrem que tenha poder para fazê-lo. Quando chega no artigo XXIII começa as garantias positivas que prometem resolver carências da ordem da sobrevivência humana, independente da ação dos indivíduos, fazendo com que o dever de resolver estes problemas seja dos estados participantes da Assembleia Geral das Nações Unidas.

No artigo XXV foi estabelecido:

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Ou seja, os estados participantes da assembleia da ONU se comprometeram a se esforçar em tirar de seus cidadãos, toda e qualquer responsabilidade sobre as próprias vidas, já que cabe aos estados garantir tudo da infância até a velhice.

O problema dessa meta são os incentivos a submissão e acomodação aos recursos dispostos pelo estado sem possibilidade de emancipação. Uma constatação necessária é entender que o estado não cria riqueza e tudo o que ele dá, retirou de terceiros através de impostos, ou seja, se não houver indivíduos que criem riqueza para que impostos sejam extorquidos, o estado não terá receita para distribuir. [1] [2]

A normalização desse tipo de comportamento fala muito sobre a natureza humana e faz lembrar aquele episódio onde uma senhora entrevistada reclama que em oito anos sendo beneficiária do programa bolsa família, que em tese é um auxílio para erradicação da miséria, se mostra inconformada com a falta de aumento do dinheiro disponibilizado. Porém a justificativa é o que deflagra a consequência de incentivar que o estado resolva todos os problemas e não responsabilizar as pessoas por garantir a subsistência de sua família. A senhora fala que seu auxílio nunca aumentou e que não dará para comprar uma calça para sua filha de dezesseis anos, por que custa mais de trezentos reais. Um auxílio que foi elaborado para ajudar as pessoas a sair da condição de miséria é desvirtuado para a garantia de luxos peculiares. [3]

Ayn Rand ajuda a entender as alternativas quando diz:

Nada na terra é dado ao homem. Tudo o que ele precisa tem que ser produzido. E aqui o homem enfrenta a sua alternativa básica: ele só pode sobreviver de duas formas – pelo trabalho independente da sua própria mente ou como um parasita alimentado pela mente de outros. O criador origina. O parasita toma emprestado. O criador enfrenta a natureza sozinho. O parasita enfrenta a natureza através de um intermediário. A preocupação do criador é a conquista da natureza. A preocupação do parasita é a conquista dos homens. O criador vive pelo seu trabalho. Ele não precisa de outros homens. O seu objectivo primário é dentro de si próprio. O parasita vive em segunda mão. Ele precisa de outros. Os outros tornam-se o seu objectivo primário.

A necessidade básica do criador é independência. A mente que raciocina não pode trabalhar sob qualquer forma de compulsão. Não pode ser dobrada, sacrificada ou subordinada qualquer que seja a consideração. Exige independência total em função e em motivo. Para o criador, todas as relações com o homem são secundárias. A necessidade básica do parasita é assegurar a sua relação com os homens para ser alimentado. A necessidade básica do parasita que vive à custa de outras pessoas é assegurar sua relação com outros homens para ser alimentado. Para ele, os relacionamentos estão acima de tudo. Ele declara que o homem existe para servir aos outros. Ele prega o altruísmo, que é a doutrina que exige que o homem viva para os outros e dê mais importância aos outros que a si próprio. Nenhum homem pode viver por outro. Ele não pode compartilhar seu espírito, assim como não pode compartilhar seu corpo. Mas o homem que vive à custa dos outros usou o altruísmo como arma de exploração e inverteu o fundamento dos princípios morais da humanidade. Aos homens foi ensinado cada preceito que destrói o criador. Aos homens foi ensinado que a dependência é uma virtude.  (Ayn Rand, A Nascente, pág 681).

Políticas públicas e movimentos ideológicos querem subverter as bases da vida humana em sua dignidade. Querer erradicar carências da população mais pobre em situação de miséria não pode perder de vista que o trabalho é a única forma de emancipação. Só o trabalho garante que o ganho remuneratório seja acompanhado do orgulho de ser capaz de sustentar a própria vida e de sua família.

Às vezes boas intenções trazem mais problemas do que uma solução eficiente, a ONU em toda sua sapiência atrapalha os países participantes quando incentiva medidas que resultam em degeneração moral. Prejudica quando em mais de setenta anos ainda não entendeu que o único sistema que tem os incentivos para a criação de riqueza, liberdade e cooperação entre os homens é o Capitalismo. [3] [4]

 

REFERÊNCIAS

[1]https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2018/10/25/internas_economia,999840/arrecadacao-de-imposto-bate-recorde-dos-ultimos-tres-anos.shtml

[2] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2727

[3] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2473

[4] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2194

 

 

 

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