O Desconhecimento Fingido.

Um refrão sem sentido e irrefletido torna o capitalismo responsável pelo advento da guerra. A ligação que se faz entre a guerra e a política do protecionismo é claramente evidente e, como resultado do que certamente constitui danosa ignorância dos fatos, a imposição de tarifas protecionistas é identificada totalmente como prática do capitalismo. As pessoas se esquecem de que, apenas há pouco tempo, todas as publicações nacionalistas eram cheias de diatribes violentas contra o capital internacional (“capital financeiro” e “truste internacional do ouro”), por este não ter fronteiras nacionais, por opor-se às tarifas protecionistas, por ser contrário à guerra e por inclinar- se pela paz. (Ludwig Von Mises, Liberalismo Segundo a Tradição Clássica, Instituto Mises Brasil)

Ao acompanhar discussões populares dos “filósofos” da mídia mainstream, onde a discussão versa sobre mercado de trabalho e as relações das pessoas, suas ambições e desejos, aparecem os iluminados para atacar esse expediente, como se as pessoas em função do arranjo capitalista adquirissem um caráter maligno, que vê em suas pretensões a justificativa para digladiar todo e qualquer semelhante que interfira em suas metas e objetivos.
As desculpas se repetem, atribuir ao arranjo social a culpa das desigualdades por exemplo, é justificativa sustentada desde 1754 por Jean Jacques Rousseau no Discurso sobre A Origem da Desigualdade:

Outros inimigos mais perigosos, dos quais o homem não tem meios para se defender, são as debilidades naturais, a infância, a velhice e as moléstias de toda espécie, tristes sinais de nossa fraqueza, sendo que os dois primeiros são comuns a todos os animais e que o último pertence principalmente ao homem que vive em sociedade. (p. 48)

A nova face do desconhecimento fingido tem aparecido em frases de efeito que passam a sensação  de que as pessoas não convivem de forma harmoniosa e com atritos por causas exteriores a elas.
Esquecem-se de que a luta por justiça social de Rousseau se realizou na Revolução Francesa com mais de sessenta mil mortos. O fingimento dos intelectuais populares manifestou-se no apoio a ascensão do Chavismo, continuidade, implantação e consolidação da ditadura sanguinária de Nicolás Maduro na Venezuela. Agora fogem da responsabilidade da catástrofe que tem como diretriz a filosofia do fracasso, que vê na propriedade privada e na liberdade de mercado um mau a ser extirpado.

Não existe capitalismo sem dois conceitos centrais que fazem do arranjo de mercado o único sistema econômico que gera entre os homens paz e tolerância.

A cooperação é o primeiro conceito que faz com que a divisão do trabalho seja possível. Adam Smith em seu livro “A Riqueza das Nações” constata o ganho de produtividade quando as pessoas se dividem em tarefas específicas fazendo com que a sociedade se atenha em trabalhos diferentes, cientes que poderão usufruir da maior variedade de produtos e serviços, benefício que será obtido por meio da troca.

Olhe a sua volta e pense na dificuldade que seria se tivesse que fabricar cada produto que você utiliza no seu dia a dia sem o benefício da divisão do trabalho e a cooperação nela envolvida. Apesar de eventuais atritos e divergências entre as pessoas, no geral a relações sociais se dão de forma voluntária e mediadas por acordos. Para ganhar dinheiro você deve oferecer um serviço ou produto e as pessoas irão aceitar ou não. É bem sucedido aquele que consegue servir o próximo em grande escala com qualidade que seja crescentemente satisfatória.
Se estou empregado em uma empresa, estou prestando um serviço, estou vendendo meu tempo para que determinado trabalho seja realizado.
Se oportunidades de ganho serão dispostas ao longo do tempo, quais incentivos eu tenho para garantir meu objetivo? Sendo uma pessoa agradável, confiável e eficiente ou um pilantra mal educado que faz tudo por resultados rápidos, não se importando com o próximo?

A cooperação tem como incentivo implícito a melhora do comportamento social para que os eventuais benefícios individuais do trabalho sejam garantidos. O resultado social são pessoas dispostas a fazer acordos e negociar eventuais disputas ao invés de recorrer a desinteligências.

O segundo conceito é servir, ou seja, aquilo que você oferece no mercado em troca de dinheiro precisa ser útil para alguém, precisa resolver problemas do cotidiano das pessoas, seja aquilo que é da ordem da sobrevivência como alimento, vestimenta e moradia ou da ordem do entretenimento, como informação e diversão.

Para ser um bom capitalista você precisa ser excelente na arte de servir as pessoas, ou seja, servir bem para servir sempre.
Veja por exemplo os celulares, ao deixar minimamente a iniciativa privada agir,  alcançamos no Brasil um número maior de celulares do que de pessoas. Porque as empresas para servir seus clientes fazem modelos diversos, para todos os bolsos e procuram facilitar o pagamento para que seu produto seja adquirido.

O desconhecimento fingido aparece quando “intelectuais” querem demonizar o capitalismo e atribuir a ele problemas que não são seus, como a desigualdade social, a ganância e a corrupção como passíveis de relações de mercado. Se necessário afirmam conhecer a tradição filosófica da liberdade, pois são “intelectuais” e precisam ler os filósofos para se afirmarem como doutos nas discussões; Mas relativizam os resultados factuais das nações que seguiram as premissas capitalistas e obtiveram resultados positivos, assim como, Alemanha oriental versus Alemanha ocidental; Coréia do Norte versus Coreia do Sul.

Em sociedades onde impera o capitalismo as filas são voluntárias por que as pessoas querem aquirir um produto ou serviço.
Em sociedades que relativizam e boicotam o capitalismo as filas são para mendigar migalhas ao estado, pouco é passível  de decisão voluntária e se busca pelos meios mais básicos de subsistência.

Negar fatos consolidados e auto evidentes como os apresentados é comum entre os intelectuais que querem confundir problemas da condição humana com resultado da aplicação de um sistema econômico. Fingir desconhecer premissa e consequência de teorias comprovadamente verdadeiras mostra o grau de pertubação psicológica que vivenciam, são pessoas que negam a realidade e farão o possível para impor suas ideias.

Todo socialista é um ditador disfarçado – Ludwig Von Mises

 

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