A Perpetuação da Pobreza como Problema Moral

Quando propus refletir sobre o problema da pobreza sua perpetuação para além das questões econômicas e da incompetência de um governo coletivista, percebi que dos impedimentos predominantes a acepção da vida com alguns pressupostos morais impedem muitos indivíduos de sair da condição de mediocridade para um mindset que os liberte dos empecilhos fundamentais da existência humana. [1] [2]

É sabido que a pobreza é posição natural do ser humano, a história da humanidade passa pela busca por sobrevivência, fuga de predadores tanto de animais ferozes, da prevenção infecciosa de vírus e bactérias, quanto de grupos humanos rivais por zelo com a perpetuação da linhagem. Somente com o advento da Revolução Industrial e o avanço do Capitalismo, os problemas mais graves foram em grande medida superados. Ontem a miséria era regra, a urgência na busca de alimentos, abrigo e vestimenta foi substituída pela dignidade do transporte público, um plano de saúde minimamente funcional, a quantidade de consumo de calorias mínimas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. [3] [4]

Os sinais de riqueza das sociedades contemporâneas são as prioridades de suas reivindicações perante uma realidade individual e social. Se os motivos de indignação não estão justapostos logo percebesse a tendência em relativizar aquilo que caracteriza a pobreza, gerando um conjunto de demandas dispersas entre si. Perde-se o foco daquilo que é prioritário por uma sensação de superação da condição de vulnerabilidade, sabe aquele indivíduo que comprou seu carro em sessenta vezes mas não tem reboco na parede de sua casa? Esse tipo de auto-engano que me refiro.

Num contexto ético nascem falácias como a desigualdade social, universidade pública gratuita e de qualidade, como prioridades para a emancipação dos pobres, entendendo essas demandas como condição sine qua non para a obtenção de uma vida melhor. [5]

O desenvolvimento moral passa pela aquisição de ferramentas racionais para a lida com os problemas da sobrevivência em um processo de avaliação hierárquica, soluções as questões centrais para a autonomia do sujeito. Negligenciar esse processo resultará em relativização das questões fundamentais e terceirização das responsabilidades individuais, perda das referências concretas que a vida humana solicitou no passado, tornando os indivíduos condicionados a caprichos de cunho abstrato. O sintoma mais evidente são indivíduos pedintes do estado, em seu descolamento da realidade passa a requerer trivialidades que devem ser disponibilizadas ao custo de infortúnios como a falta de saneamento básico e atitudes de iniciativa própria que resultariam em verdadeira emancipação.

O que indivíduos que superaram a pobreza tem a nos ensinar está intimamente ligado ao entendimento de algumas virtudes de um código moral que impulsiona a geração de riqueza, superando adversidades e estabelecendo um modo de vida independente, produtivo e confiante. Uma vez que o entendimento da condição de pobreza é a falta daquilo que é necessário para a subsistência, ou seja, ter acesso ao conjunto de coisas essenciais para a manutenção da vida. Todos temos a condição de desenvolver uma moralidade que conduz a uma vida de abundância. [6]

Primeira Virtude: A Razão como o único meio de que o homem dispõe para o conhecimento.

O homem que escolhe não utilizar sua capacidade cognitiva está fadado ao fracasso. Há aqueles que utilizam em alguns aspectos da vida e deixam de lado quando convêm ser irracional, seja por preguiça ou malandragem. Os que superaram a pobreza entendem o poder no uso da razão como a faculdade que o homem dispõe para viver em plenitude. Ao ativar essa capacidade em sua magnitude, o que é encontrado são indivíduos que aprendem a acertar mais do que errar nas decisões que a vida apresenta. A importância dessa constatação simples levará a mesma lógica que faz com que os juros compostos aumentem seu dinheiro em progressão geométrica.

No banco seu dinheiro é a matéria-prima para a mágica da multiplicação, para a razão a matéria é o conhecimento. A consciência da necessidade do exercício da razão faz com que a aquisição de conhecimento seja funcional e tenha aplicação prática na realidade, é a progressão em teoria e ação de um indivíduo que percebe seus conceitos ratificados pela verdade dos fatos.

Se sua cognição é definida para o conhecimento da lógica da realidade, os problemas fundamentais serão entendidos em uma hierarquia de prioridade, serão resolvidos num crescente fazendo com que o resultado seja melhor qualidade de vida a cada ação de prevenção implementada. O que é mais importante, ter um carro ou ter plano de saúde? Se profissionalizar em um curso técnico ou fazer uma viagem? Ir para festas ou ter uma poupança?

A resposta para essas perguntas é logicamente previsível porém negligenciada por aqueles cujos valores estão apoiados em fundamentos relativistas apontados anteriormente, resultando em perpetuação da pobreza mascarada de superioridade moral. São os indivíduos que se orgulham da pobreza intrínseca, justificando suas prioridades como o único modo de usufruto das coisas boas que a vida lhe dera chance de aproveitar.

O uso da razão fará o indivíduo que escolheu o método racional, deixar momentos de prazer supérfluo no presente, por independência e autonomia para o restante de sua existência. Cabe ao homem sensato procurar o exemplo muitas vezes histórico de homens que no exercício da frugalidade e diligência foram aplicados no desenvolvimento moral e galgaram sua independência financeira. [7]

Segunda Virtude: A Produtividade como ajuste da natureza ao homem

Tão importante como entender a razão como faculdade para apreender a realidade das coisas, é compreender o trabalho produtivo como propósito para uma vida boa. O trabalho produtivo é o processo onde a consciência controla a existência, nessa interação a uma constante de comprovação do conhecimento e moldagem da matéria ao propósito do ser humano.

A principal consequência da produtividade constituirá valor moral, estabelecendo um norteador que dá foco e referência ao homem, a ideia de finalidade.

A finalidade é direcionar conscientemente os objetivos de sua existência de forma a entender onde se está, para onde vai e o que terá de ser feito para que o propósito seja alcançado. O trabalho produtivo como processo de pensamento e ação faz com que sua posição inicial seja propulsor do processo de avanço para a conquista daquilo que já é seu e está apenas aguardando sua manifestação em materialidade. Os que são levados pelas circunstâncias na apatia decisória do acaso, abrem mão daquilo que é intrínseco a natureza do homem, seu poder de deliberação dos meios e fins.

Terceira Virtude: O Orgulho como ambição moral

A experiência do orgulho só é acessível para aqueles que ao desenvolver suas virtudes percebem o caráter do homem em si como capaz, justo, bom. Desenvolver uma ambição moral é perceber a importância de lidar com questões morais de modo explícito e objetivo, utilizando da lógica, baseando sua conduta em princípios da natureza e da condição humana. O orgulho é a constatação do poder próprio do uso da razão e sua prática produtiva na realidade.

Uma das causas da perpetuação da pobreza no aspecto moral está no indivíduo que busca basear sua moralidade na aprovação de terceiros, seja pela obediência a autoridades ou pela aprovação de um grupo. Coloca-se de lado sua racionalidade, suas finalidades para obter migalhas emocionais. O resultado será a frustração e ansiedade pois os caprichos humanos são diversos e a depravação sem limites.

O resultado do exercício da ambição moral e sua prática será autoestima, a constatação que suas virtudes são recompensadas na realidade, que as falhas a serem corrigidas são contingenciais e você está concentrado em superá-las. Logo seus relacionamentos não precisam nascer de sacrifício nem comiseração pelo outro mas troca de valor por valor.

Conclusão

As ideias para a extinção da pobreza é a volta do homem para seu estado natural de confiança e curiosidade, que o faz trilhar o caminho do aprimoramento e melhora contínua, ser apto a vida e buscar sua felicidade. A pobreza material revela a pobreza espiritual, a desconexão com aquilo que é essencial ao homem, seu código moral, a consciência de suas ferramentas de sobrevivência, sua função no mundo, suas finalidades.
A superação da pobreza passa por uma postura moral, decisão que o coloca em um compromisso consigo, pois não há terceiros para colocar os princípios em prática a não ser o maior interessado em manter aquilo que é seu maior tesouro, sua vida.

Texto de William Leal
Licenciado em Filosofia pela Universidade Metodista de São Paulo

Pós graduando em Sociologia pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Bibliografia

[1] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1942232-levantamento-revela-imediatismo-e-baixa-tendencia-a-poupanca-do-brasileiro.shtml

[2] http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/44-da-populacao-brasileira-nao-le-e-30-nunca-comprou-um-livro-aponta-pesquisa-retratos-da-leitura/

[3] Harari, N. Y. Sapiens: Uma breve história da humanidade. 16° Edição. Porto Alegre: L&PM, 2016. 464 p.

[4] https://veja.abril.com.br/economia/recessao-e-inflacao-as-causas-do-aumento-da-pobreza-no-brasil/

[5] https://spotniks.com/9-numeros-que-explicam-por-que-a-educacao-brasileira-vai-de-mal-a-pior/

[6] PEIKOFF, L. Objetivismo: A filosofia de Ayn Rand. Porto Alegre: Ateneu Objetivista, 2000. 451p.

[7] ISAACSON, Walter. Benjamin Franklin: uma vida americana. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. 567p.

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